segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Canção.

Que a arte nos aponte uma resposta,
mesmo que ela não saiba e que
ninguém a tente complicar.
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer.
Porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.

Alegria.


Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio me fale cada vez mais,
Porque metade de mim é abrigo,
mas a outra metade é cansaço.

Lembrança.


Que o medo da solidão se afaste e que o convívio
comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto,
num doce sorriso que eu me lembro
ter dado na infância.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui
e a outra metade não sei...

Pensar.


Que essa minha vontade de ir embora se transforme
na calma e na paz que eu mereço.
E que essa tensão que me corrói por dentro,
seja um dia recompensada porque,
Metade de mim é o que penso,
Mas a outra metade é um vulcão.

Sentimento.

Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas
como prece e nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa
que resta a uma mulher inundada de sentimentos.
Porque metade de mim é o que ouço,
mas a outra metade é o que calo.

Saudade.


Que a música que ouço ao longe seja linda ainda que haja tristeza.
Que o homem que amo seja pra sempre amado mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida, mas a outra metade é saudade.

Silêncio.



Que a força do medo que tenho,
não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo em que acredito,
não me tape os ouvidos e a boca,
porque metade de mim é o que eu grito,
mas a outra metade é silêncio.